Jericó
Cidade do vale do Jordão ligada à conquista de Josué, à fé de Raabe, ao ministério de Eliseu e aos encontros de Jesus com Bartimeu e Zaqueu.
Jericó atravessa diferentes períodos da história bíblica. É uma cidade cananeia na narrativa da entrada de Israel na terra, uma localidade associada aos profetas e um lugar de passagem de Jesus em sua última viagem a Jerusalém. a identifica como cidade das palmeiras.
Sua importância vai além da queda das muralhas. Em suas histórias aparecem a fidelidade de Deus à promessa, a seriedade do juízo, a acolhida de uma estrangeira, a restauração de uma comunidade e a salvação alcançando pessoas desprezadas. Raabe, Bartimeu e Zaqueu ocupam situações muito diferentes, mas cada um ajuda a perceber como a resposta a Deus modifica a trajetória de uma pessoa.
Estudar Jericó exige acompanhar essas mudanças de contexto. Uma instrução dada a Josué durante a conquista e uma palavra de Jesus a um cobrador de impostos pertencem à mesma história bíblica, mas cumprem funções diferentes dentro dela.
Jericó fica no vale do Jordão, na região de um oásis sustentado por fontes de água. A disponibilidade de água ajuda a explicar sua longa ocupação humana e a presença de agricultura em uma região cercada por ambientes áridos. A descrição de um lugar agradável, feita pelos moradores a Eliseu, combina com essa importância do oásis, embora naquele episódio a água estivesse comprometida ().
A estrada entre Jerusalém e Jericó aparece na parábola do bom samaritano. descreve o viajante descendo de Jerusalém para Jericó; apresenta Jesus subindo para Jerusalém. As expressões correspondem à diferença de relevo entre a região montanhosa e o vale.
Essa geografia dá concretude aos relatos. A fé é exercida em estradas percorridas, casas abertas, comunidades dependentes de água e encontros com pessoas que vivem à margem da circulação cotidiana.
Fonte geográfica: [UNESCO — Ancient Jericho/Tell es-Sultan](https://whc.unesco.org/en/list/1687/).
Tell es-Sultan, a noroeste da Jericó atual, preserva sucessivas camadas de ocupação, incluindo vestígios neolíticos e da Idade do Bronze. A antiguidade desses materiais exige atenção: a famosa torre neolítica pertence a um período muito anterior ao cenário histórico em que se situa a narrativa de Josué. Identificar toda estrutura antiga de Jericó com as muralhas de Josué mistura épocas distintas.
O vale também possui vestígios de palácios do período hasmoneu, estudados pela Universidade Hebraica de Jerusalém. Portanto, a história da ocupação da região inclui núcleos e construções de diferentes períodos, e o nome Jericó não deve ser tratado como se designasse sempre uma área urbana com limites idênticos.
A associação de uma camada arqueológica a um acontecimento bíblico depende de datação e interpretação. Neste estudo, a exposição de Josué acompanha o texto bíblico; a identificação geral do sítio não é apresentada como comprovação arqueológica de cada detalhe da conquista.
Fontes: [UNESCO — descrição do sítio](https://whc.unesco.org/en/list/1687/) e [Universidade Hebraica — palácios hasmoneus no vale de Jericó](https://archaeology.huji.ac.il/exhibitions/hasmonean-winter-palaces-jericho-valley).
| Período | Acontecimento | Referências | | --- | --- | --- | | Entrada em Canaã | Raabe recebe os espias; Jericó é conquistada | ; 6 | | Monarquia | Hiel reconstrói a cidade | | | Ministério profético | Elias e Eliseu passam por Jericó; suas águas são restauradas | –22 | | Queda de Judá | Zedequias é capturado nas campinas de Jericó | –7 | | Retorno do exílio | Homens de Jericó aparecem entre os repatriados e os construtores | ; | | Ministério de Jesus | Cura de cegos e encontro com Zaqueu | –34; –52; –19:10 |
Jericó deve ser lida depois da travessia do Jordão. –4 relata a passagem do povo e o estabelecimento de pedras memoriais; descreve a circuncisão da geração nascida no deserto, a celebração da Páscoa e o encerramento do fornecimento do maná.
Essa sequência coloca a identidade do povo antes da campanha militar. Israel entra na terra como comunidade ligada ao Senhor pela aliança. A Páscoa relembra a libertação do Egito, enquanto o alimento produzido na terra assinala uma nova etapa da provisão divina.
A mudança na forma do sustento merece atenção. O fim do maná acontece quando o povo já pode comer do produto da terra. A transição não indica que Deus deixou de cuidar de Israel; indica uma mudança nas condições em que esse cuidado seria recebido.
Para a vida cristã, a passagem convida a reconhecer a provisão também no trabalho e nos meios cotidianos. A gratidão precisa acompanhar tanto os acontecimentos extraordinários quanto os recursos disponíveis para a responsabilidade diária.
Perto de Jericó, Josué encontra uma figura com a espada desembainhada e pergunta a que lado ela pertence. A resposta a apresenta como comandante do exército do Senhor. Josué se prostra, assume a posição de servo e recebe a ordem de retirar as sandálias, pois aquele lugar é santo (–15).
A cena desloca o centro de autoridade. Mesmo sendo o líder de Israel, Josué precisa ouvir e obedecer. A pergunta decisiva passa a ser o que o Senhor requer de seu servo. Para quem exerce liderança, isso confronta a tentação de usar o nome de Deus apenas para validar decisões já tomadas.
A referência ao solo santo recorda o encontro de Moisés com Deus em . Muitos cristãos interpretam essa manifestação como uma aparição do Filho antes da encarnação; essa identificação é uma leitura teológica, pois o texto não nomeia explicitamente a figura como Jesus. O ponto inequívoco da passagem é a autoridade santa à qual Josué se submete.
Josué envia dois espias, que encontram abrigo na casa de Raabe. Ao conversar com eles, ela menciona notícias do êxodo e das vitórias de Israel e reconhece o governo do Senhor sobre os céus e a terra (–11).
O medo era compartilhado pelos habitantes, mas a resposta de Raabe ganha uma direção própria: ela busca misericórdia e assume o risco de proteger os mensageiros. A narrativa permite distinguir o reconhecimento de que Deus é poderoso da confiança que leva alguém a mudar sua lealdade.
Sua condição de mulher estrangeira e prostituta torna sua presença especialmente significativa. O texto preserva seu passado e, ao mesmo tempo, mostra que esse passado não esgota sua identidade. A acolhida que recebe impede que a história da conquista seja lida como se a origem étnica, isoladamente, determinasse quem poderia receber misericórdia.
Para a comunidade cristã, Raabe levanta uma pergunta concreta: há pessoas cujo passado se tornou, aos nossos olhos, um impedimento permanente para que sua fé seja reconhecida?
O acordo com os espias inclui um sinal visível na janela e a reunião dos familiares na casa. O cordão vermelho identifica a residência que deveria ser preservada, dentro das condições estabelecidas pelo juramento (–21).
A cor tem recebido interpretações cristãs que a relacionam ao sangue de Cristo. Essa associação pode ser apresentada como leitura tipológica, mas Josué não explica o cordão dessa maneira. Seu sentido imediato é servir como sinal do compromisso firmado entre Raabe e os mensageiros.
O cuidado com a família também faz parte do episódio. Raabe procura proteção para outras pessoas e age para reuni-las. A aplicação nasce desse compromisso: a fé tem consequências para a maneira como cuidamos de quem está sob nossa responsabilidade.
O relato não atribui poder mágico ao objeto. Fazer do cordão um amuleto afastaria a atenção da confiança no Senhor e da fidelidade à palavra empenhada, que sustentam a cena.
apresenta uma ordem específica: durante seis dias, o povo deveria rodear a cidade uma vez por dia; no sétimo, daria sete voltas. Sete sacerdotes levavam sete trombetas diante da arca. O povo deveria aguardar a ordem para gritar, enquanto as trombetas eram tocadas.
É importante conservar essa sequência. Foram sete voltas no último dia, e não em cada um dos sete dias. O silêncio ordenado dizia respeito à voz do povo; o relato inclui o som das trombetas durante a marcha.
A narrativa atribui a vitória ao Senhor. A organização do povo expressa obediência à sua palavra, sem oferecer uma explicação física de como o som teria derrubado as muralhas.
Na pregação, o acontecimento permite ensinar dependência e obediência. Transformá-lo em garantia de que repetir sete atos produzirá determinado resultado substituiria uma ordem particular de Deus por uma técnica religiosa criada pelo intérprete.
interpreta a queda das muralhas em termos de fé. A confiança se manifesta durante o cumprimento da instrução recebida, antes que o resultado esteja visível. Isso dá fundamento para falar de perseverança, desde que a promessa em questão seja respeitada.
O próprio capítulo impede uma aplicação triunfalista. Depois de mencionar conquistas e livramentos, Hebreus também recorda pessoas fiéis que sofreram, foram perseguidas e morreram sem experimentar uma reversão imediata de sua situação (–40).
Assim, a fé de Jericó não permite prometer sucesso imediato em todo projeto pessoal. Ela pertence ao testemunho mais amplo de pessoas que confiaram em Deus em circunstâncias distintas. A fidelidade do Senhor sustenta tanto a obediência em dias de vitória quanto a perseverança em dias de sofrimento.
Essa leitura ajuda o pregador a oferecer esperança sem responsabilizar injustamente o sofredor pela ausência de um resultado que Deus nunca lhe prometeu de forma específica.
A conquista envolve a destruição da cidade e de seus habitantes, com a preservação de Raabe e dos que estavam com ela (–25). A violência do relato precisa ser reconhecida; reduzir a passagem a uma mensagem sobre vencer obstáculos apaga uma de suas questões mais difíceis.
–6 situa a tomada da terra no contexto do juízo sobre a maldade e da promessa aos patriarcas. Ao mesmo tempo, rejeita a ideia de que Israel recebesse a terra por superioridade moral. O povo escolhido também é responsabilizado por sua infidelidade.
Na leitura cristã, essa narrativa exige considerar o conjunto das Escrituras. Jesus ordena o amor aos inimigos, e a missão confiada aos discípulos é fazer discípulos das nações (; 28:18–20). O episódio de Josué não concede à igreja autorização para usar violência contra pessoas ou grupos.
A preservação de Raabe mostra misericórdia dentro do próprio relato de juízo. Essa tensão deve permanecer na exposição, sem celebrar o sofrimento humano nem eliminar a seriedade com que o texto apresenta o pecado.
Após Jericó, narra a derrota diante de Ai e a descoberta de que Acã havia tomado objetos sujeitos à proibição. A atenção se volta para a infidelidade dentro de Israel. O povo que acabara de testemunhar uma vitória precisava responder pela maneira como tratava a palavra de Deus.
Acã descreve um movimento de desejo, apropriação e ocultação (–21). A cobiça passa a organizar suas decisões. O acontecimento expõe como o benefício particular pode ser buscado à custa da responsabilidade com toda a comunidade.
Para líderes e igrejas, a aplicação envolve integridade no uso de recursos, transparência e disposição para reconhecer o erro mesmo depois de experiências marcantes. Resultados positivos anteriores não dispensam prestação de contas.
A passagem relata uma culpa que Deus identifica expressamente naquele episódio. Por isso, ela deve ser usada com cuidado pastoral: não fornece fundamento para atribuir toda enfermidade, perda ou dificuldade de uma comunidade a um suposto pecado escondido de alguém.
recorda Raabe entre os exemplos de fé. a apresenta como exemplo de uma fé que se expressa em ações, especialmente no acolhimento e na proteção dos mensageiros. Os dois textos permitem observar a relação entre confiança e resposta concreta.
Tiago discute a insuficiência de uma declaração de fé que permanece indiferente à necessidade do próximo. Nesse argumento, Raabe contribui com um exemplo de confiança que assume consequências. Suas ações tornam visível a lealdade que confessou.
inclui Raabe na genealogia de Jesus, como mãe de Boaz. A mulher associada a Jericó passa a integrar a apresentação bíblica da linhagem messiânica. Sua presença convida o leitor a perceber a amplitude da graça na história que conduz a Cristo.
Essas referências destacam sua fé e o acolhimento dos enviados. Elas não transformam automaticamente cada decisão de Raabe durante o episódio em uma regra moral para todas as situações.
registra uma palavra de maldição contra quem reconstruísse Jericó, relacionando o estabelecimento dos fundamentos e das portas à perda de filhos. Séculos depois, associa a reconstrução realizada por Hiel, no reinado de Acabe, à perda de Abirão e Segube e ao cumprimento daquela palavra.
O narrador não esclarece o mecanismo dessas mortes. A afirmação de que os filhos foram sacrificados ritualmente pertence a uma hipótese interpretativa, e não a uma explicação explícita de 1 Reis.
Também é preciso distinguir reconstrução de abandono absoluto da região. Jericó aparece em referências anteriores a Hiel, como e . Por isso, a maldição não deve ser resumida como se o lugar tivesse permanecido sem qualquer presença humana até aquele reinado.
O interesse de 1 Reis é mostrar a seriedade da palavra do Senhor em um período marcado pela infidelidade de Acabe. O tempo decorrido não torna irrelevante aquilo que Deus havia declarado.
Em , Jericó abriga um grupo chamado de filhos dos profetas. A expressão designa uma comunidade profética; não exige entender seus integrantes como descendentes biológicos de um único profeta.
Elias e Eliseu passam pela cidade antes de seguir para o Jordão. Depois da partida de Elias, os profetas reconhecem a atuação do Espírito em Eliseu (–15). A continuidade do ministério se torna uma questão pública, percebida pela comunidade.
Essa passagem mostra que a ação de Deus não depende da permanência indefinida de um líder. A perda de uma referência importante exige discernimento, mas não encerra o cuidado divino com o povo. O sucessor precisa exercer sua vocação diante do Senhor e das necessidades reais daqueles a quem serve.
Na sequência, o ministério de Eliseu alcança um problema básico da cidade: suas águas. A autoridade profética se expressa também no cuidado com a vida comunitária.
Os moradores apresentam a Eliseu um contraste: a localização é agradável, mas a água é ruim e a terra sofre suas consequências. O profeta pede um recipiente novo com sal, vai à fonte e anuncia que o Senhor restaurou aquelas águas (–22).
O texto atribui a cura à ação divina proclamada pela palavra profética. O recipiente e o sal participam de um gesto específico do relato; não são oferecidos como receita geral de purificação espiritual ou de tratamento de água.
A intervenção na fonte corresponde ao problema apresentado pelos habitantes. Como aplicação pastoral, a passagem estimula a atenção às causas que comprometem a vida comunitária. Uma aparência agradável pode conviver com condições que precisam de cuidado profundo.
Essa aplicação deve permanecer ligada ao sentido concreto do episódio. Água adequada sustenta a vida, a produção e a continuidade de uma comunidade. A restauração alcança pessoas que dependiam daquela fonte diariamente, mostrando o valor das necessidades comuns dentro do ministério profético.
Durante a queda de Jerusalém, o exército babilônico alcança Zedequias nas campinas de Jericó. O rei é levado a Ribla, onde recebe sua sentença (–7). A captura acontece na região de Jericó; o julgamento e a perda da visão são narrados depois da transferência para Ribla.
No período do retorno, menciona 345 homens de Jericó. registra a participação de homens da cidade na reconstrução dos muros de Jerusalém.
Essas referências curtas ampliam a história do lugar. Jericó participa tanto da memória da derrota quanto do trabalho de restauração. Em Neemias, seus habitantes colaboram em uma obra que ultrapassa sua própria cidade, um exemplo concreto de responsabilidade compartilhada pelo bem do povo.
Os encontros de Jesus em Jericó pertencem ao caminho para Jerusalém. –34 e –34 situam esse percurso sob o anúncio de sua morte e ressurreição. A atenção aos necessitados acontece enquanto Jesus avança conscientemente para o sofrimento.
acrescenta que a proximidade de Jerusalém alimentava a expectativa de uma manifestação imediata do Reino. A parábola das minas, narrada nesse contexto, introduz a responsabilidade dos servos durante a ausência do rei.
Ler os episódios dessa maneira aprofunda sua unidade. A misericórdia com um mendigo e a salvação de um cobrador de impostos revelam a missão daquele que está seguindo para entregar a própria vida. O caminho da cruz é acompanhado por gestos que dão rosto ao propósito de buscar e salvar.
O leitor também é chamado a rever suas expectativas: seguir Jesus inclui aprender o significado de seu Reino, mesmo quando ele não corresponde à forma de triunfo que a multidão imagina.
Marcos identifica o cego como Bartimeu, filho de Timeu. Seu clamor chama Jesus de Filho de Davi, um título ligado à esperança messiânica. A multidão tenta silenciá-lo, mas Jesus interrompe o percurso e manda chamá-lo (–52).
A atitude de Jesus restitui espaço à voz daquele homem. O pedido precisa ser ouvido, mesmo quando incomoda o movimento dos demais. Para uma comunidade cristã, a cena confronta práticas em que eficiência, reputação ou organização tornam invisíveis pessoas que precisam de atenção.
A pergunta de Jesus a Bartimeu recorda a pergunta feita pouco antes a Tiago e João, em . Os discípulos desejavam posições de destaque; Bartimeu pede a visão. A proximidade das cenas convida a avaliar o conteúdo de nossos pedidos e a compreensão que temos do serviço de Cristo.
O episódio termina com seguimento. A cura passa a fazer parte de uma resposta pessoal a Jesus. A narrativa oferece, assim, uma visão de discipulado em que receber misericórdia conduz a caminhar com aquele que a concedeu.
Os Evangelhos preservam diferenças que merecem ser observadas antes de qualquer tentativa de harmonização.
| Evangelho | Pessoas destacadas | Situação narrada | | --- | --- | --- | | –34 | Dois cegos | Jesus sai de Jericó | | –52 | Bartimeu | Jesus sai de Jericó | | –43 | Um cego sem nome informado | Jesus se aproxima de Jericó |
O destaque dado por Marcos a um personagem não afirma que apenas um cego estivesse presente. A diferença entre aproximação e saída, porém, permanece uma questão distinta e pede maior cautela.
Uma proposta de harmonização recorre aos diferentes núcleos de ocupação de Jericó: sair de uma área poderia coincidir com aproximar-se de outra. Isso é uma hipótese, pois os evangelistas não explicam a diferença nesses termos. A geografia histórica, sozinha, não demonstra o percurso exato daquela cura.
Na exposição, é possível reconhecer esses limites e trabalhar os elementos convergentes: o pedido de misericórdia, a resistência da multidão, a atenção de Jesus, a restauração da visão e o seguimento.
–10 apresenta Zaqueu como chefe dos publicanos e homem rico. Ele sobe em um sicômoro para ver Jesus, mas o encontro toma uma direção mais profunda quando Jesus o chama e anuncia que ficará em sua casa.
A iniciativa de Cristo ajuda a interpretar a declaração final sobre buscar e salvar o perdido. Zaqueu demonstra interesse, mas a salvação não se reduz ao esforço de um homem para alcançar uma experiência religiosa. O encontro revela a ação pessoal e intencional de Jesus.
A reação dos presentes mostra o conflito produzido por essa acolhida. Eles enxergam a condição de pecador como motivo para reprovar a hospedagem. Jesus aproxima sua missão da pessoa cuja reputação provocava resistência.
A cena convida a examinar a hospitalidade cristã. Receber alguém com graça envolve abrir espaço para o encontro com Cristo e para as consequências desse encontro. A dignidade de uma pessoa não precisa esperar que todos aprovem sua presença à mesa.
Zaqueu declara que destina metade dos bens aos pobres e que restitui quatro vezes o que tiver tomado injustamente. Lucas aproxima essa declaração do anúncio de salvação feito por Jesus (–10).
Há duas direções éticas importantes. A generosidade considera quem necessita de ajuda; a restituição considera quem foi prejudicado. Doar a uma causa não resolve, por si só, uma dívida de justiça com uma vítima. O arrependimento precisa alcançar as relações concretas afetadas pelas escolhas de alguém.
A restituição ampliada possui antecedentes na legislação de Israel, como . Essa referência ajuda a entender a seriedade do compromisso, sem transformar a proporção adotada por Zaqueu em uma regra universal para qualquer situação.
Quando Jesus o chama de filho de Abraão, reconhece sua pertença em uma cena marcada por exclusão. A salvação é anunciada no contexto da missão do Filho do Homem, e a atitude de Zaqueu mostra o alcance dessa mudança sobre dinheiro, pobres e pessoas lesadas. O texto não apresenta uma doação como preço de compra da salvação.
Na parábola de –37, o percurso de Jerusalém para Jericó se torna cenário de uma pergunta sobre o próximo. O homem ferido fica exposto à decisão de quem passa. Sacerdote e levita seguem adiante; um samaritano se aproxima e assume o cuidado.
Jesus desloca a discussão sobre os limites de quem merece amor para a responsabilidade de agir com misericórdia. O cuidado inclui interromper a viagem, tratar feridas, transportar, hospedar e assumir despesas. A compaixão ganha duração e custo.
A narrativa não informa o motivo íntimo pelo qual sacerdote e levita passaram adiante. Explicações sobre pressa, medo ou pureza ritual podem ser discutidas como possibilidades, mas não devem ser atribuídas a Jesus como se ele as tivesse contado.
Também se trata de uma parábola situada em uma estrada real. O texto não fornece base para identificar com certeza uma hospedaria atual como o estabelecimento mencionado. O foco da aplicação está na prática da misericórdia diante de uma necessidade concreta.
- Receber a palavra antes de reivindicar autoridade. A postura de Josué diante do comandante do Senhor confronta a liderança que apenas procura aprovação divina para suas próprias decisões (–15).
- Reconhecer a fé onde o preconceito espera apenas fracasso. A trajetória de Raabe exige que a comunidade não reduza uma pessoa a seu passado ().
- Cuidar dos recursos com integridade. O episódio de Acã chama à responsabilidade por escolhas que afetam a vida coletiva (,20–21).
- Dar voz a quem a multidão silencia. Bartimeu ajuda a examinar quem recebe atenção e quem é tratado como interrupção em nossos ambientes religiosos (–52).
- Relacionar arrependimento e reparação. Zaqueu permite avaliar se as mudanças declaradas alcançam os prejuízos causados a outras pessoas ().
- Sustentar o cuidado além da emoção inicial. O samaritano acompanha a necessidade com tempo e recursos, oferecendo um modelo concreto de misericórdia (–35).
- O que muda na postura de Josué depois do encontro relatado em –15?
- Como a resposta de Raabe se distingue do medo dos demais habitantes?
- O que acrescenta à maneira de pregar sobre a vitória em Jericó?
- Quais pessoas nossa comunidade tende a definir apenas por seu passado ou reputação?
- O que a comparação entre os pedidos de Tiago e João e o pedido de Bartimeu revela?
- Qual é a diferença entre ajudar os pobres e reparar um dano causado a alguém?
- Que necessidade próxima exige de nós um cuidado com continuidade, como o do samaritano?
Texto principal: –21. Textos de apoio: ; .
Ideia central: a confiança no Senhor se torna visível em uma mudança de lealdade e em decisões concretas.
1. Ouvir sobre Deus exige uma resposta
Raabe e seus conterrâneos conheciam notícias da ação do Senhor. Ela responde reconhecendo seu governo. Convide os ouvintes a examinar a distância entre conhecer relatos bíblicos e confiar naquele de quem eles falam.
2. A confiança assume consequências
A proteção dos mensageiros expõe Raabe a riscos. Tiago destaca essa ação ao tratar da fé acompanhada de obras. Mostre que a confissão cristã alcança escolhas, relações e compromissos.
3. A misericórdia recebida amplia o cuidado
Raabe considera a sobrevivência de seus familiares. A aplicação pode conduzir à responsabilidade por pessoas próximas, evitando prometer salvação automática pela fé de um parente.
Conclusão: conduza a comunidade a uma resposta concreta de confiança e obediência, preservando a misericórdia como fundamento do acolhimento de Raabe.
Texto principal: –10.
Ideia central: Jesus busca o perdido, e o encontro com ele alcança as relações e o uso dos bens.
1. Jesus toma a iniciativa de se aproximar
O chamado pelo nome e a decisão de se hospedar dão caráter pessoal ao encontro. Exponha a iniciativa de Cristo sem reduzir a passagem a uma técnica para obter sua atenção.
2. A acolhida confronta a exclusão
A murmuração revela a resistência da multidão. Examine como a comunidade pode receber pessoas e acompanhá-las com verdade e misericórdia.
3. A mudança alcança o que precisa ser reparado
A declaração de Zaqueu envolve pobres e pessoas lesadas. Desenvolva a diferença entre generosidade e restituição, convidando a respostas responsáveis diante de danos reais.
Conclusão: retome . O centro da passagem é a missão salvadora do Filho do Homem; a nova relação com os bens mostra a profundidade de suas consequências.
Para acompanhar a história de Jericó, leia os blocos completos, observando seus contextos:
- Promessa, preparação e conquista: –6; 34:1–4; –7.
- Permanência da cidade e ministério profético: ; ; –34; –22.
- Exílio e reconstrução: –7; ; –2.
- Jesus e a misericórdia: –34; –52; –37; 18:31–19:28.
- Raabe na leitura cristã: ; –40; –26.
Os relatos bíblicos são a base da exposição. As informações arqueológicas e geográficas remetem à [descrição de Tell es-Sultan pela UNESCO](https://whc.unesco.org/en/list/1687/) e à [apresentação dos palácios hasmoneus pela Universidade Hebraica](https://archaeology.huji.ac.il/exhibitions/hasmonean-winter-palaces-jericho-valley). Essas fontes ajudam a distinguir períodos e contextos materiais; as aplicações pastorais resultam da leitura dos textos bíblicos indicados em cada seção.