Arrebatamento
Estudo individual sobre o arrebatamento na Bíblia, com foco em 1 Tessalonicenses 4:13-18 e 1 Coríntios 15:51-52, explicando a reunião dos crentes com Cristo, ressurreição, transformação dos vivos, relação com a segunda vinda, tribulação, diferentes interpretações escatológicas e os principais erros de interpretação.
O texto central
A principal passagem sobre o arrebatamento está em 1 Tessalonicenses 4:13-18.
Paulo escreve para consolar cristãos preocupados com irmãos que haviam morrido antes da volta de Jesus.
Ele diz:
“Os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares.”
Referência: .
A palavra “arrebatados”
O verbo grego usado é harpazō, que pode transmitir ideia de:
- tomar;
- agarrar;
- retirar rapidamente;
- arrebatar.
A palavra latina usada em traduções antigas, rapiemur, está na origem do termo “rapto” em algumas línguas.
O centro do texto
O centro não é desaparecer misteriosamente.
É:
- ressurreição dos mortos em Cristo;
- transformação e reunião dos vivos;
- encontro com o Senhor;
- permanência eterna com ele.
O objetivo é consolo
Paulo termina:
“Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras.”
O arrebatamento é ensinado primeiro como esperança pastoral.
A preocupação da igreja
Alguns cristãos em Tessalônica pareciam temer que os irmãos mortos perdessem algo quando Cristo voltasse.
Paulo responde que eles não serão esquecidos.
“Não queremos que sejais ignorantes”
Paulo quer corrigir falta de entendimento.
Luto com esperança
1 Tessalonicenses 4:13 não proíbe tristeza.
Ele diz para não se entristecer:
“como os demais, que não têm esperança.”
A dor continua real.
Mas a ressurreição muda seu horizonte.
Jesus morreu e ressuscitou
Paulo fundamenta tudo em um fato:
“Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou...”
A esperança dos cristãos mortos depende da ressurreição de Cristo.
A volta não favorece os vivos
Os que estiverem vivos não terão vantagem sobre os que morreram.
Os mortos em Cristo ressuscitam primeiro.
O Senhor descerá do céu
O texto fala de Cristo vindo do céu.
Voz de arcanjo e trombeta de Deus
A cena não parece silenciosa.
Paulo menciona:
- palavra de ordem;
- voz de arcanjo;
- trombeta de Deus.
Ressurreição
Os mortos em Cristo ressuscitam.
Arrebatamento dos vivos
Depois, os vivos são arrebatados com eles.
Encontro com o Senhor
O objetivo é encontrar Cristo.
“Estaremos para sempre com o Senhor”
Essa é a grande conclusão.
A esperança não é apenas ser retirado de um lugar.
É estar com Jesus.
“Nem todos dormiremos”
1 Coríntios 15:51 declara:
“Nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos.”
Paulo fala de pessoas que estarão vivas na consumação.
“Num momento”
A transformação acontece de forma repentina.
A última trombeta
1 Coríntios 15:52:
“Num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta.”
Os mortos ressuscitam incorruptíveis
A ressurreição e a transformação dos vivos aparecem juntas.
Corrupção para incorruptibilidade
O corpo mortal será revestido de imortalidade.
Arrebatamento e transformação
enfatiza reunião.
enfatiza transformação.
Os dois textos se complementam.
Um evento ou dois?
Esse é um dos grandes debates da escatologia cristã.
Leitura de um único evento
Muitos cristãos entendem que arrebatamento e segunda vinda são duas descrições do mesmo grande evento:
- Cristo volta;
- mortos ressuscitam;
- vivos são transformados;
- todos encontram o Senhor;
- segue a consumação do Reino.
Leitura em duas etapas
Muitos dispensacionalistas pré-tribulacionistas entendem que:
- Cristo vem para buscar a igreja no arrebatamento.
- A igreja é retirada antes da grande tribulação.
- Depois, Cristo retorna visivelmente em glória ao final da tribulação.
O que os textos dizem claramente
Eles afirmam com segurança:
- Cristo voltará;
- os mortos em Cristo ressuscitarão;
- os crentes vivos serão reunidos a ele;
- todos estarão para sempre com o Senhor.
O que permanece debatido
A relação cronológica entre:
- arrebatamento;
- tribulação;
- manifestação visível;
- milênio.
A palavra grega
Em , o termo traduzido como “encontro” é apantēsis.
Uso cultural
A palavra pode ser usada para descrever pessoas saindo ao encontro de uma autoridade que chega e depois acompanhando-a.
Isso aparece em outros textos antigos e também em passagens do Novo Testamento.
Um argumento importante
Por isso, alguns estudiosos entendem que os crentes saem ao encontro de Cristo para acompanhá-lo em sua chegada triunfal.
Outros entendem subida ao céu por um período
Essa é a leitura comum em sistemas pré-tribulacionistas.
O termo sozinho não resolve toda a cronologia
É importante não forçar uma única palavra a decidir todo o debate.
O contexto geral precisa ser considerado.
Pré-tribulacionismo
Essa posição entende que a igreja será arrebatada antes de um período de grande tribulação.
Textos frequentemente usados
Defensores costumam citar:
- ;
- ;
- ;
- distinções entre igreja e Israel.
“Livra da ira vindoura”
1 Tessalonicenses 1:10 fala de Jesus que nos livra da ira futura.
Pré-tribulacionistas entendem isso como forte apoio à retirada da igreja antes do período de juízo.
“Deus não nos destinou para a ira”
1 Tessalonicenses 5:9 também é central.
Distinção entre ira e tribulação
Críticos dessa posição observam que o Novo Testamento frequentemente mostra cristãos passando por tribulação sem estarem sob a ira condenatória de Deus.
Por isso, o debate continua.
Pós-tribulacionismo
Essa posição entende que a igreja passará pela tribulação e será reunida a Cristo na sua vinda pública.
Textos importantes
Defensores costumam destacar:
- ;
- ;
- ;
- .
“Depois da tribulação daqueles dias”
Mateus 24:29-31 coloca reunião dos eleitos depois de sinais cósmicos.
Isso é argumento importante para leituras pós-tribulacionistas.
Mesotribulacionismo
Alguns entendem o arrebatamento no meio da tribulação.
Pré-ira
Outra leitura entende que a igreja enfrentará parte da tribulação, mas será retirada antes da manifestação específica da ira divina.
Diversidade histórica
O debate não se resume a duas posições.
O Filho do Homem vem nas nuvens
Mateus 24:30 descreve manifestação pública de Cristo.
Os anjos reúnem os eleitos
Mateus 24:31:
“Ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos.”
Semelhanças com 1 Tessalonicenses 4
Os textos possuem elementos semelhantes:
- vinda de Cristo;
- nuvens;
- trombeta;
- reunião dos escolhidos.
Isso prova que são o mesmo evento?
Muitos dizem que sim.
Outros entendem que possui foco diferente, especialmente em Israel e eventos posteriores ao arrebatamento.
Cautela
O texto deve ser lido sem pressupor a conclusão antes de examiná-lo.
Um problema de confusão
Alguns cristãos pensavam que o Dia do Senhor já havia chegado.
Paulo pede calma
2 Tessalonicenses 2:1-2 fala:
“quanto à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele.”
A linguagem é muito relevante para o tema.
Apostasia e homem da iniquidade
Paulo diz que certos eventos ocorreriam antes do Dia.
Relação com o arrebatamento
Pós-tribulacionistas usam o texto para argumentar que a reunião com Cristo não ocorre antes de qualquer sinal.
Pré-tribulacionistas interpretam a sequência de outra maneira.
“Aquele que o detém”
A identidade do restritor é debatida.
Sugestões históricas incluem:
- Espírito Santo;
- igreja;
- governo;
- poder angelical;
- providência divina.
O texto não identifica explicitamente o restritor.
1 Tessalonicenses 5
Depois de falar da reunião com Cristo, Paulo continua falando do Dia do Senhor.
“Virá como ladrão”
1 Tessalonicenses 5:2.
A imagem enfatiza surpresa.
Surpresa para quem?
Paulo diz que os crentes não estão em trevas para que o dia os surpreenda como ladrão.
Vigilância
O chamado é:
- sobriedade;
- fé;
- amor;
- esperança.
A imagem não significa invisibilidade
Um ladrão chega inesperadamente.
O ponto principal é imprevisibilidade, não silêncio.
A expressão não aparece na Bíblia
A Bíblia fala de arrebatamento, mas não usa a expressão “arrebatamento secreto”.
Elementos audíveis e visíveis
menciona:
- ordem;
- arcanjo;
- trombeta.
Cristo pode vir inesperadamente sem vir silenciosamente
Surpresa e publicidade não são opostos.
De onde vem a ideia de secreto?
Ela se desenvolve dentro de certos sistemas escatológicos que distinguem arrebatamento e manifestação pública de Cristo.
Não caricaturar posições
Pré-tribulacionistas responsáveis não necessariamente imaginam um evento sem qualquer manifestação sobrenatural.
O debate é mais sobre sequência e destinatários do que sobre volume.
Mateus 24:40-41
Jesus diz:
“Um será tomado, e deixado o outro.”
Esse texto é frequentemente ligado ao arrebatamento.
O contexto de Noé
Antes disso, Jesus compara sua vinda aos dias de Noé.
Quem foi “levado” no dilúvio?
Em , o dilúvio “levou” os ímpios.
Por isso, alguns estudiosos entendem que ser “tomado” nos versículos seguintes pode significar ser levado para juízo.
Outras interpretações
Outros entendem como retirada dos justos.
Não usar o texto isoladamente
A passagem é ambígua o suficiente para exigir cautela.
é muito mais direto sobre a reunião dos crentes.
Mateus 25
Cinco virgens estavam preparadas.
Cinco não estavam.
O noivo chega
A parábola ensina vigilância.
Não é mapa cronológico
Jesus não entrega uma sequência técnica de eventos.
O ponto é estar preparado
Mateus 25:13:
“Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.”
Escatologia prática
A preparação não consiste em adivinhar datas.
Consiste em fidelidade.
Eles não ficarão para trás
Esse era justamente o consolo de Paulo.
Ressurreição primeiro
Os mortos em Cristo ressuscitam.
Depois os vivos
Os vivos são reunidos com eles.
Todos juntos
A esperança é comunitária.
O reencontro é parte do consolo
Paulo fala de encontro com Cristo, mas também de reunião dos santos.
Isso oferece consolo diante do luto.
Não é apenas desaparecimento físico
mostra transformação.
Corpo mortal para imortal
O cristão não abandona para sempre a corporeidade.
Filipenses 3
Cristo transformará o corpo de humilhação.
Referência: .
Ressurreição e arrebatamento pertencem à mesma esperança corporal
Isso impede imaginar a salvação final como fuga permanente do corpo.
Para o cristão, Paulo usa linguagem de consolo
O tema foi dado para esperança.
O medo pode aparecer
A perspectiva de juízo é séria.
Mas o crente é chamado a esperar Cristo com esperança.
Tito 2:13
Paulo fala da:
“bendita esperança e manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus.”
A volta é esperança bendita
Não deveria produzir paranoia permanente.
Vigilância não é ansiedade
Estar preparado não significa viver aterrorizado.
Ninguém sabe o dia e a hora
Mateus 24:36.
Atos 1:7
“Não vos compete conhecer tempos ou épocas.”
História de previsões fracassadas
Ao longo dos séculos, muitas pessoas marcaram datas para o fim.
Todas falharam.
Cálculos com festas, eclipses e números
Eventos astronômicos e calendários bíblicos não autorizam automaticamente marcar a volta de Cristo.
A Bíblia chama para prontidão, não adivinhação
A melhor preparação é viver fielmente hoje.
Trabalhe
Paulo não queria que expectativa escatológica produzisse ociosidade.
Em 2 Tessalonicenses, ele corrige pessoas que pararam de trabalhar de modo responsável.
Sirva
Jesus chama servos a permanecerem fiéis enquanto o senhor está ausente.
Pregue o evangelho
A missão continua até o fim.
Viva em santidade
1 João 3:2-3 liga esperança futura à purificação.
Console os enlutados
foi escrito para isso.
Não abandone responsabilidades
Esperar Cristo não é fugir da vida presente.
“A Bíblia ensina claramente que será sete anos antes da segunda vinda”
Essa cronologia pertence a uma interpretação específica, não a uma frase explícita do texto bíblico.
“O arrebatamento será necessariamente secreto”
A Bíblia não usa essa expressão.
“Quem ficar para trás terá automaticamente uma segunda chance”
Isso depende de sistemas interpretativos específicos e não deve ser afirmado como detalhe explícito dos textos centrais.
“Um será tomado e outro deixado prova o arrebatamento pré-tribulacional”
O contexto permite outras leituras.
“Se houver uma guerra grande, o arrebatamento é nesta semana”
A Bíblia rejeita esse tipo de certeza.
“Estudar arrebatamento é inútil”
Também não.
Paulo ensinou o tema para consolar e fortalecer a igreja.
O arrebatamento é reunião, não abandono
Cristo reúne seu povo.
Os mortos em Cristo não perderão nada
Eles ressuscitarão primeiro.
O centro não é escapar
É estar para sempre com o Senhor.
A trombeta aponta para vitória, não para paranoia
A esperança é pública e gloriosa.
O dia desconhecido chama para fidelidade diária
Não para calendário profético.
O melhor preparo é viver em Cristo hoje
Daniel 7:13-14 — Filho do Homem vindo com as nuvens.
Mateus 24:29-44 — vinda, reunião dos eleitos e vigilância.
Mateus 25:1-13 — dez virgens.
João 14:1-3 — Cristo volta para receber os seus.
Atos 1:9-11 — promessa da volta.
1 Coríntios 15:20-23 — Cristo como primícias.
1 Coríntios 15:51-58 — transformação dos vivos e ressurreição.
Filipenses 3:20-21 — transformação do corpo.
1 Tessalonicenses 1:9-10 — esperar o Filho e livramento da ira.
1 Tessalonicenses 4:13-18 — texto central do arrebatamento.
1 Tessalonicenses 5:1-11 — Dia do Senhor e vigilância.
2 Tessalonicenses 1:6-10 — revelação de Cristo.
2 Tessalonicenses 2:1-12 — vinda e nossa reunião com ele.
Tito 2:11-13 — bendita esperança.
Tiago 5:7-8 — paciência até a vinda.
1 João 3:2-3 — manifestação de Cristo e santidade.
Apocalipse 1:7 — todo olho o verá.
O que é o arrebatamento?
É a reunião dos crentes com Cristo em sua vinda, incluindo a ressurreição dos mortos em Cristo e a transformação dos vivos.
Arrebatamento e segunda vinda são a mesma coisa?
Cristãos divergem. Muitos entendem um único evento; outros distinguem duas etapas.
O arrebatamento acontece antes da tribulação?
Essa é a posição pré-tribulacionista. Outras tradições colocam a reunião da igreja durante ou depois da tribulação.
Será secreto?
A Bíblia não usa essa expressão, e menciona voz e trombeta. A ideia de “secreto” depende de um sistema escatológico específico.
“Um será tomado e outro deixado” fala do arrebatamento?
Talvez, mas o contexto de Noé permite também a leitura de que “ser tomado” pode significar ser levado em juízo. O texto não deve ser usado sozinho.
Os mortos em Cristo participarão?
Sim. Eles ressuscitarão primeiro.
Qual é o principal propósito da doutrina?
Consolo, esperança, vigilância e fidelidade enquanto aguardamos Cristo.
O arrebatamento é a reunião do povo de Deus com Cristo em sua vinda. Em , Paulo ensina que os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro e os crentes vivos serão arrebatados juntamente com eles para encontrar o Senhor. acrescenta que os vivos serão transformados e os mortos ressuscitarão incorruptíveis. Cristãos divergem sobre se esse evento acontece antes, durante ou depois da tribulação e sobre sua relação exata com a segunda vinda. O centro, porém, é claro: Cristo voltará, seu povo será reunido, a morte será vencida e estaremos para sempre com o Senhor. A doutrina foi dada para consolar, não para alimentar medo ou cálculos de datas.